segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

HISTORIADORA TATIANE TEIXEIRA, LANÇA OBRA ACADEMICA NA CAPITAL DO ACAÍ

Aconteceu neste domingo, 05/02 na sede da Faculdade Miriense, PA 151, o lançamento da obra “FESTAS DA DIÁSPORA NEGRA NO BRASIL”. O Livro é uma coletânea de artigos produzidos por pesquisadores de diversos estados do país e traz um dossiê sobre as festas negras no Brasil, procurando esmiuçar e problematizar algumas expressões culturais festivas sintomáticas em termos de vivências culturais.  
Um dos artigos é autoria da historiadora miriense Tatiane do Socorro Corrêa Teixeira, intitulado SAMBA, MÚSICA E RESISTÊNCIA: RANCHO NÃO POSSO ME AMOFINÁ NO CARNAVAL BELENENSE (1938-1946). O artigo faz uma análise sobre o universo simbólico e cultural da citada escola de samba através das letras de samba enredo.
Tatiane Teixeira, é doutoranda em Antropologia pela Universidade Federal do Pará, possui mestrado em História Social pela PUC/SP. Especialista em Educação do Campo pelo IFPA e graduada em História pela Universidade Federal do Pará. Atualmente é professora colaboradora da UFPA, Campus Universitário do Tocantins no programa de Pós - Graduação lato sensu em História Afro – brasileira e indígena e está vinculada como professora colaboradora da Universidade do Estado do Pará na graduação intercultural e indígena da Secretaria Estadual de Educação.
A programação de lançamento iniciou as 8:00 horas com uma breve exposição oral feita autora. Em seguida foi servido um coquetel acompanhado de sessão de autógrafos. Diversos estudantes de graduação além de professores da rede estadual e municipal estiveram no evento.




(Na foto o vice- presidente da Academia Igarapemiriense de Letras Professor Antonio Marcos Ferreira, foi o primeiro a adquirir o exemplar da obra e aproveitou para registar o momento ao lado da família)
 (Estudantes universitários também aproveitaram para fazer registros sobre o momento)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

TORNEIRO MECÂNICO MIRIENSE INVENTA RABETA DE ALUMINIO



Por Antonio Marcos Ferreira & Jorge Teixeira¹
Foto-Pesquisador-Rabeta Ecologica
O miriense Gercinaldo Fonseca acaba de comercializar uma invenção que deve apresentar uma solução para construção naval de rabetas (para motores rabudos) sem a necessidade do desmatamento.
Esse tipo de veículo que atualmente é o principal meio de transporte ribeirinho (substituindo até mesmo as canoas tradicionais) traz enormes conseqüência ambientais para a natureza já que é construído a partir do derrubamento de árvores.
A minimização do problema do desmatamento pode estar na nova matéria prima para a construção das rabetas, conforme propõe o torneiro mecânico Gercinaldo Fonseca, morador do bairro da Cidade Nova, Igarapé-Miri, que utilizando os conhecimentos em metalurgia construiu um primeiro modelo desse tipo de rabeta utilizando o alumínio naval.
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Gercinaldo enumera diversas vantagens da nova rabeta como por exemplo:
• Não precisa gastar material com calafeto
• O tempo de duração é muito maior
• E o que é melhor não precisa desmatar
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O miriense também já está desenvolvendo uma acessório chamado "olho que tubarão " que segundo ele vai minimizar o acidentes de rabetas, tão comum atualmente.
Quando perguntamos sobre a viabilidade de custo, Gercinaldo diz que o primeiro modelo foi comercializado pelo valor de R$ 3.500,00, mas garante que é vantajoso, já que uma rabeta do mesmo tamanho custa em média R$ 2.000,00 com tempo de duração de 6 meses a um ano, a rabeta de alumínio tem tempo de duração indeterminado, ainda assim ele acredita que é possível que com a produção em grande escala garanta o barateamento do produto.
Gercinaldo concluiu dizendo que durante muito tempo fez observações no intuito de compreender a realidade local, o que lhe somou ideias para a confecção desse tipo de rabeta, disse ainda que está muito confiante nos resultados do positivos proporcionados pelo seu invento.
¹Matéria produzida pela equipe de Imprensa da Rádio Comunitária Natureza FM 87,9 - Igarapé-Miri/PA

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

JORNAL TRIBUNA POPULAR: CURTAS E CURTIDAS PARTE I (dez. 2014)

Israel Fonseca Araújo


O Jornal Tribuna Popular de dezembro de 2014 não está nas "bancas", nem nos barcos, nem nas estradas... Por isso, divulgamos aqui a edição das Curtas e Curtidas. Dias depois, deveremos divulgar a parte final, inclusive com a provável reflexão sobre o Ano de Interrogação Miriense, este ano de 2014 (ano passado foi o Ano da Simbologia Miriense). E 2015...?


Seguem as nossas Curtas e Curtidas:

DIÁLOGO NOTURNO (dois servidores da Prefeitura de Igarapé-Miri, no bate-papo):
_ “Ain quero meu décimo. snif, snif, snif kkkkkkk”
_ décimo, é? tu tá pavulagem, mesmo!
////Conversas afiadas//////


AÇAÍ NOSSO DE CADA DIA...
Pontos de venda de açaí receberão selo de qualidade em Belém
Objetivo é adequar os produtos às normas de higiene e saúde. Certificação será entregue a três pontos nesta quinta-feira, 27 [de novembro]. Três pontos de venda de açaí de Belém recebem nesta quinta-feira (27), os primeiros selos de qualidade do produto entregues pelo Departamento de Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde (Devisa/Sesma). O objetivo do selo é proporcionar a venda de um produto adequado às normas de higiene e saúde. (...) Segundo a Devisa, serão intensificadas as fiscalizações nos pontos de venda de açaí de Belém, para notificar e até fechar os pontos que não adotarem as práticas adequadas. (Do g1.com.br)

SAÚDE MIRIENSE: ENTRE CAOS E UTI

I - HOSPITAL SANT’ANA
Um post de rede social, dias atrás, anunciou: "INDIGNAÇÃO....!!!
MAIS UM VEZ, PASSANDO SITUAÇÃO TERRIVEL NO HOSPITAL SANTANA, APÓS ACIDENTE VITIMAS DESESPERADAS DE DOR E FALTA DE MEDICAMETOS, FORAM ENCAMINHADOS PRA BELÉM, FOI FEITO VAQUINHA PRA COLOCAR COMBUSTIVEL NA AMBULANCIA." (Omitida a fonte) A coluna pergunta: e aí, quem quer saber o que os 13 Vereadores/as pensam sobre isso? Vamos ficar calados/as?

II - SALÁRIO DOS BONS
O blog Gazeta Miriense noticiou, em novembro, alguns salários de profissionais da Saúde de Igarapé-Miri, fazendo as devidas ressalvas de que poderia ter havido variação nos valores pagos em decorrência de jornada de trabalho e outras variáveis. Chamou muita atenção de populares o Salário de um médico, superior a R$ 42.000,00 (isso mesmo: mais de quarenta e dois mil reais/mês), ainda tinha outro médico com salário superior a R$ 20.000,00 (vinte mil reais), uma enfermeira ganhando mais de R$ 6.000,00 (seis mil reais) e outra (enfermeira) ganhando menos de R$ 3.000,00 (três mil reais). Justiça seja feita, né? (Nota da Coluna: a fonte foram planilhas oficiais: o cidadão tem todo direito de saber como os recursos públicos estão sendo aplicados; se de maneira correta, ou de maneira ilegal/imoral; resta saber o que os vereadores/as de Igarapé-Miri pensam sobre isso...)


PEDINDO VOTOS... em período não permitido pela Lei
O camarada estava “desfilando” na Praça Pe. Henrique, mandava acenos cumprimentos e polegares pra cima... de eleitores e eleitoras que votarão em 2016 e, até, pra quem começará a dar votos apenas em 2028. Acreditem, isso é sério. Pensem em um cara sedento de *prefeiturismo... Fique calmo, tebudo.

O PAPÃO DEVEU...
Foi grande a pistolada (não é pistolagem, que é outra coisa) em Igarapé-Miri; dia 22 de novembro. O Paysandu da Curuzu Sport Clube venceria seu quarto título nacional (duas séries B, uma Copa dos Campeões e a tal da Série C), mas deveu para o Macaé (RJ). O 3 X 3 sacramentou o vice-campeonato da Série C e marcou, para sempre, a vida de mais de trinta e oito mil presentes ao Mangueirão. No Pará, a tristeza foi perceptível em todos os cantos e, nas Cinco Bocas, de Igarapé-Miri a tristeza era das maiores. Muitas, mas muitas pistolas cruzaram a tarde/noite miriense desse dia “do Músico”: azulinos festejaram e cantaram mina. É isso.

O Mazola tem que ser técnico do Paysandu em 2015, na série B, pois ele tem muita sorte para ser vice. E, se o Paysandu for vice da série B em 2015, sobe para a série A. (José João Pena, professor, via Facebook)

DIA DO(A) MÚSICO
Quero, nesta oportunidade, parabenizar as coordenações dos projetos Dia do Músico, The Voice Estudantil e Encontro das Cobras Grandes da Ponta Negra e Jatuíra pelos eventos do último sábado [22/11]. Pude testemunhar a beleza cultural dessas iniciativas e o legado que ficará para nosso município. Mas, para além das coordenações e dos projetos, quero homenagear os diversos artistas da nossa terra. Atividades como essas devem ser transformadas em projetos de longo prazo, pelo que representam em termos de contribuição ao desenvolvimento sociocultural da capital do açaí. Vida longa a todos! (Isaac Fonseca Araújo, editor deste Tribuna Popular)

“A VOZ” DE IGARAPÉ-MIRI
Há que se destacar que a iniciativa do prof. Cristiano Paraguassu e equipe, na criação do “The Voice Estudantil” é das mais louváveis possíveis. Mirienses dão show em matéria musical, bem antes de Os Populares de Igarapé-Miri surgirem. Mas uma parte do povo vem ponderando se não seria uma boa a iniciativa chamar, para o evento (mais ou menos), A VOZ ESTUDANTIL ou A NOSSA VOZ ESTUDANTIL... Tal se deve às reflexões sobre o poder de manipulação ideológica da TV Globo e demais estruturas midiáticas. “O que a TV Globo manda dizer, nós obedecemos?; lembram da Capadócia miriense?”, ponderam.

VIOLÊNCIAS... lá como cá

Blog do Lúcio Flávio Pinto (citado por Gazeta Miriense) Condenado PM que era segurança particular:
“Pela primeira vez a justiça militar do Pará condenou um oficial por estar fazendo segurança particular. O Conselho Especial da Justiça Militar sentenciou(...) o major PM Murilo Martins da Costa à pena de 2 anos, 10 meses e 20 dias de prisão, em regime fechado, pela prática dos crimes de violência contra inferior e prevaricação, fatos ocorridos em Tailândia [no Pará]. Ele foi denunciado pelo promotor de justiça Armando Brasil, que comemorou o feito. O major Murilo se licenciou da corporação para trabalhar como segurança particular para o então candidato a deputado estadual Paulo Jasper, conhecido como Macarrão. Em 2 de outubro de 2010 ele estava em campanha política no município de Tailândia, quando, no meio de uma confusão, Jasper tentou agredir Ailton Onofre, que correu para o quartel de Tailândia para pedir socorro. Macarrão e o major [Murilo Martins da Costa] invadiram o quartel e iniciaram uma série de atos violentos. O oficial agrediu vários policiais militares de patente inferior.”

CONFRONTOS, MORTES E MAIS MORTES
 (...) (Fátima Alencar, Professora): a postagem surgiu depois de mais uma morte na cidade de Igarapé-Miri (a nova Tailândia paraense), no domingo (23/11), à noite, na modalidade “confrontos entre rivais”.

OUTRO LADO: pedimos a Deus que nos conceda um ano de 2015 imensamente melhor do que este de 2014, para o povo de Igarapé-Miri. Há quem acredite que, em Igarapé-Miri, não há mais espaço para piorias na gestão municipal, mas temos de alertar que o que temos hoje ainda pode pior muito mais. Vamos nos unir e tenta consertar esse caos? Ou queremos destruir mais ainda a nossa Terra?

Curtam e comentem; podem compartilhar, tb.

Até logo


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Prof. Israel fala sobre a CHACINA DE BELÉM

Confira em www.poemeirodomiri.blogspot.com

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

MARCHA DA JUVENTUDE MARCA DESFILE DA INDEPENDENCIA EM IGARAPÉ-MIRI


Aconteceu nos dias 04, 05, 06, 07 de setembro mais uma edição do desfile da independência no municipio de  Igarapé-Miri. Escolas municipais,estaduais e particulares, igrejas e movimentos (na cidade  e na Vila Maiauatá) foram às ruas durante os dias de atividade.

Um dos momentos marcantes foi a passagem da Marcha da Juventude da Região Tocantina, Diocese de Cametá. O evento que chegou a sua IV Edição foi realizado juntamente com XX Grito dos Excluídos em Vila Maiauatá (Paróquia de Nazaré) no período de 04 à 06 de setembro, com o tema “Vida em primeiro lugar” e o lema “Ocupar ruas e praças por liberdade e direitos”. O término do evento foi marcado pela caminhada que saiu de Vila Maiauatá por volta de 6 horas da manhã dia 06, chegando 11 horas no corredor do desfile.

Na chegada os jovens entregaram ao secretário de Educação, Prof. Felipe Pantoja(nesse momento representado o gestor municipal) a Carta da Juventude – contendo a pauta de reivindicações do movimento.
Abaixo trazemos um resumo contendo os principais pontos da pauta contidos na carta:

1 SAÚDE
1.1 Instalação de Unidade de Teste e Aconselhamento de HIV em Igarapé-Miri;
1.2 Intensificação de campanhas e palestras de prevenção ao uso de drogas e entorpecentes;
1.3 Reativação de programa de planejamento familiar e prevenção contra gravidez na adolescência;
1.4 Fornecimento de medicamentos e material hospitalar para os postos de saúde do município;
1.5 Melhorias das instalações e dos equipamentos do Hospital e Maternidade Sant’Ana;
1.6 Funcionamento imediato da Academia de Saúde;
1.7 Reforma e aquisição de ambulâncias;
1.8 Reativação do Programa Saúde Bucal para a juventude;
1.9 Fortalecimento das ações do Centro de Atendimento Psicossocial (CAPS);
2 SEGURANÇA PÚBLICA
2.1 Resolução da impunidade dos assassinatos que tem resultado no extermínio de nossos jovens:
2.2 Campanha de prevenção da violência
2.3 Combate ao uso e contrabando de drogas.
2.4 Reforço de policiamento nas ruas do município.
2.5 Implantação do programa PROERD no município e interiores.
2.6 Implantação da guarda municipal.
2.7 Compromisso social com a comunidade.
2.8 Combate a corrupção do policiamento municipal.
3 EDUCAÇÃO
3.1 Apoio irrestrito a criação de um Pólo da Universidade Federal da Amazônia Tocantina (UFAT); no município de Igarapé Mirí.
3.2 Fortalecimento do Programa Saberes da Terra (elevação de escolaridade de jovens e adultos do campo);
3.3 Ampliação e melhorias do Sistema Modular de Ensino Municipal na zona rural;
3.4 Regularização do fornecimento da alimentação escolar regionalizada em toda rede municipal;
3.5 Melhoramento do transporte escolar em toda a rede municipal;
3.6 Contratações de pessoal qualificado para o programa Mais Educação;
4 TRABALHO E CIDADANIA
4.1 Fomento a projetos de geração de emprego e renda para oportunidade de trabalho para a juventude e fortalecimento da segurança alimentar do município;
4.2 Incentivo ao associativismo e cooperativismo juvenil destinadas a agricultura Peri Urbana;
4.3 Fortalecimento a feira dos produtores da agricultura familiar;
4.4 CRAS itinerante para zona rural;
4.5 Campanha de expedição de documentos pessoais para zona rural;
4.6 Criação do Centro de Recuperação de Entorpecentes do município;


quinta-feira, 7 de agosto de 2014

"NAVEGAR" É NECESSÁRIO... Navegando em outras águas (Jornal Beira do Rio - Ufpa)



Em Afuá, realidade contraria números indicados no 
Mapa da Inclusão Digital, da Fundação Getúlio Vargas

(por Brenda Rachit / Agosto e Setembro de 2014)

O mapa da inclusão digital, trabalho executado pela Fundação Getúlio Vargas, em parceria com a Fundação Telefônica, publicado em 2012, constatou, por meio de pesquisas quantitativas, que o município de Afuá, no arquipélago do Marajó, tem, em média, 0,8% de acesso à internet. Esse percentual reflete o baixo índice de conexão para muitas cidades da Amazônia e é uma das questões discutidas pelo pesquisador Diogo Silva Miranda de Miranda, em sua Dissertação Palafitas digitais: comunicação, convergência, cultura e relações de poder em Afuá, defendida recentemente no Programa de Pós-Graduação Comunicação, Cultura e Amazônia, da Universidade Federal do Pará (PPGCom-UFPA).
Na pesquisa, foram observados outros aspectos, além dos quantitativos, para compreender a reconfiguração do ambiente comunicacional no município. Utilizando a perspectiva metodológica da Cartografia, o pesquisador construiu um método próprio e com elementos da Antropologia, Sociologia e Análise do Discurso. Ele selecionou teorias e procedimentos que mais se adequavam aos seus objetivos.
A proposta inicial era discorrer sobre tecnologias móveis, a “cibercultura de bolso”, pois, na cidade, a popularização da internet está bastante atrelada ao uso crescente dos smartphones. Contudo a pesquisa revelou outros caminhos e Diogo de Miranda propôs-se a “pensar o cenário que se desenvolveu com a chegada da internet e das novas dinâmicas criadas pela maneira como a web se relaciona com outras mídias em uma determinada sociedade”, explica.
O pesquisador reconhece a importância das estatísticas, mas alerta que é preciso estar atento aos contextos específicos de cada região. Em viagens ao município, foi possível observar um consumo de tecnologias digitais muito maior do que aquele constatado no Mapa da Inclusão Digital. “Como posso encarar como verdadeiros esses números se, ao chegar a Afuá, percebo que as pessoas utilizam intensamente os diferentes aparelhos, como o dono do mercadinho que acessa a internet wifi por um Iphone?”, questiona.

Trabalho de campo releva singularidades
O Mapa da Inclusão Digital é elaborado a partir de um recorte do que pode ser mensurado quantitativamente, normalmente considerando os computadores pessoais e as linhas de telefonia fixa. Em muitas cidades da Amazônia, o acesso à internet via celular e tablets é muito mais frequente. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a partir do próximo censo, irá considerar essas especificidades, como a rede móvel.
As particularidades afuaenses só puderam ser percebidas quando o pesquisador esteve em campo. Diogo de Miranda viajou três vezes à ilha durante a pesquisa. Muito mais do que descrever Afuá e seus contextos, o pesquisador quis viver a dinâmica da cidade. “Partilhei um universo em comum com esses sujeitos, o que nos tornou próximos, participantes das mesmas dinâmicas e experiências. E isso foi fundamental para entender as questões da pesquisa”, afirmou.
Segundo ele, as estatísticas acabam por reafirmar a compreensão já estigmatizada sobre a Amazônia como um território em “atraso”. “As singularidades da região necessitam de outras perspectivas de análise”, destaca Diogo.
A internet popularizou-se em Afuá entre 2005 e 2007, porém, em períodos anteriores, houve outras tentativas de conectar a comunidade à rede mundial de computadores. Algumas lan houses (centros de acesso à internet) surgiram, mas não conseguiram se sustentar, pois a internet ainda não havia alcançado o cotidiano da comunidade, como as rádios. Diogo observa que o rádio, muito mais do que a televisão, exerce um papel central nas relações sociais dentro da cidade.

Conversas agora se desdobram no ciberespaço
Em Afuá, não há produção de telejornais e o conteúdo regional veiculado pelas emissoras de televisão traz notícias de Macapá e Belém, a maioria das vezes. Por isso, as rádios têm um espaço cativo na comunidade. “As rádios articulam a dinâmica do cotidiano da cidade, dão visibilidade às suas interações sociais”, avalia Diogo de Miranda. 
O atraso na conexão de Afuá à internet também decorreu das inúmeras barreiras físicas, pois o município é localizado em região de várzea. A cidade, também conhecida como a “Veneza Marajoara”, não possui ruas ou estradas, é interligada por pontes e sustentada por palafitas, tornando difícil a instalação de um sistema cabeado de rede. Por isso, a internet foi introduzida via rádio.
“A implementação da telefonia móvel e o sucesso dos celulares no município fizeram com que a internet se popularizasse e fosse incorporada ao dia a dia das pessoas”, explica o pesquisador. Hoje, além da telefonia móvel, há três lan houses bastante frequentadas.
Com a chegada da internet móvel, as pessoas apropriam-se de forma diferente desse recurso e isso ressignificou o contexto sociocultural do município. A partir daí, a interação da comunidade foi além da relação restrita ao rádio e à conversação verbal, ela se desdobrou no ciberespaço. As pessoas passaram a convergir conteúdos dentro do que elas ouvem na rádio, o que vivem e o que produzem na internet. Os radialistas comunicam-se por redes sociais com os ouvintes, ao mesmo tempo em que verbalizam na rádio essa interação.
Ao assumir um papel de mesmo valor daquele exercido pela rádio, a internet ganha forças em Afuá. “Sem a rádio, a internet não seria o que é hoje”, afirma.

Interação com o universo digital é diferenciada
Em 2013, foi inaugurada a primeira praça digital com acesso gratuito à comunidade, tornando-se um espaço coletivo bastante representativo na inclusão digital da cidade. “Por que a Prefeitura investiria em um projeto social pra estabelecer uma praça digital para uma população que teria, em tese, 0,8% de acesso à internet?”, questiona Diogo de Miranda. “É claro que há questões políticas nesse cenário, mas esse fato ilustra a importância que a internet passou a ter na vida dessa população”, avalia.

Mas, assim como na capital, as formas de interação com o universo digital acontecem de maneira diferenciada entre os afuaenses. Segundo Diogo Miranda, infraestrutura e fatores socioeconômicos influenciam diretamente na maneira como cada indivíduo participa desse ambiente e nas formas de apropriação das tecnologias. Além disso, há relações de poder e de disputa entre os indivíduos: quem não está inserido no novo contexto sofre certa marginalização, ao mesmo tempo, quem não participa também exerce algum poder ao obrigar as instituições a criarem condições que permitam a sua participação e a expansão do mercado. 

Jornal Beira do Rio (Ufpa): Calor atrai barbeiro até o açaí



 
Tratamento térmico a 80°C durante 10 segundos  
garante segurança do consumidor.
por Marcus Passos / Agosto e Setembro de 2014
foto Mácio Ferreira
Conhecido pelos nomes juçara, palmiteiro, piná, uaçaí, palmito-açaí ou simplesmente açaí (Euterpe oleracea), o fruto redondo, pequeno e de cor roxa tornou-se um dos principais ícones da cultura e culinária paraenses. Ao longo de 14 anos, sua área de influência transpôs os limites amazônicos e ganhou adeptos por todo o Brasil.

No Estado do Pará, seu consumo ocorre principalmente pela polpa, acompanhada de farinha de tapioca ou mandioca. Em muitas residências, o alimento é consumido diariamente. “A família do meu pai é do Marajó e, mesmo morando em Belém, alguns costumes marajoaras foram mantidos em nossa família. O gosto pelo açaí é o mais forte deles. Eu bebo açaí todos os dias”, revela Karina Ailyn, estudante de Comunicação Social da Universidade Federal do Pará.

Essa fruta, rica em vitaminas e fibras, tem, vez por outra, seu nome associado a uma doença comum na Região Amazônica, a doença de Chagas. Isso ocorre em razão da má higienização da polpa do açaí e da conservação inadequada do produto durante o transporte aos postos de venda.

Porém uma questão ainda intrigava muitos pesquisadores: o que atraía o barbeiro até o açaí, já que o inseto se alimenta apenas de sangue? Um estudo pioneiro coordenado pelo professor Hervé Rogez, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da UFPA, mostrou que a relação do barbeiro com o açaí está intimamente vinculada ao processo de fermentação do fruto.

A doença de Chagas é uma doença infecciosa causada por um protozoário parasita chamado Trypanosoma Cruzi. Sua principal forma de transmissão é por meio da ‘picada’ do barbeiro. Esse inseto hematófago alimenta-se de sangue de mamíferos, e, ao ‘picar’ o ser humano, elimina o parasita. Sem saber, as pessoas coçam o local afetado pelo inseto, facilitando a “entrada” do protozoário.

Os números de casos da doença no Pará estão ligados à transmissão oral dessa infecção. Na família da estudante Karina Ailyn, duas pessoas já contraíram a doença por meio do consumo do açaí, seu avô e sua prima. O primeiro acabou falecendo por conta da idade avançada e da associação da doença de Chagas com outras doenças. Sua prima foi diagnosticada precocemente e tratada a tempo. Mesmo assim, Karina Ailyn mantém a tradição familiar e continua consumindo o açaí.

Após surto da doença, pesquisas foram intensificadas

Em 2006, ano em que começou a pesquisa, houve um surto de doença de Chagas em várias cidades paraenses. Diante disso, o Ministério da Saúde acionou diversos especialistas para investigarem as causas dessa contaminação. O professor Hervé Rogez foi chamado para analisar o lado etiológico da infecção – a causa da doença.  
“Por meio da Secretaria de Estado de Saúde Pública (SESPA), fizemos um inquérito populacional com as pessoas infectadas nessas cidades. Passamos um questionário de hábitos para esses indivíduos, até convergirmos em algo em comum. Descobrimos que elas compraram açaí no mesmo estabelecimento e no mesmo dia”, revela o pesquisador.
Assim, quais fatores fariam o barbeiro ir em direção ao açaí? Em nenhum momento do seu ciclo de vida, eles entram em contato com frutos. Então, o que justifica o Trypanosoma cruzi estar contaminando esse típico alimento da população amazônica?

A partir dos anos 2000, houve uma explosão nas vendas do açaí, tanto no mercado nacional quanto no internacional. Com isso, muitas comunidades resolveram investir somente no açaí, com a perspectiva de maiores lucros. Ao ampliarem as plantações de açaizeiros, os ribeirinhos interferiram no ciclo alimentar dos barbeiros. Sem alimentos, esses insetos migraram do seu habitat para as casas dos ribeirinhos, em busca de sangue de mamíferos. 
Ao visitar a Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, Hervé Rogez encontrou uma pesquisa que apontava quatro aspectos que fazem com que os barbeiros sejam atraídos pelos mamíferos: o CO2 que é liberado por esses animais; a umidade relativa, já que todos os mamíferos respiram, transpiram e exalam umidade; o calor emitido pelos corpos e a irradiação por ultravioleta.
Ao ser retirado da palmeira, as vassouras do açaí seguem para o processo de debulhamento, que é a remoção dos frutos dos cachos. O açaí é colocado em paneiros, que ficam organizados em frente à casa do ribeirinho, à espera da embarcação que fará o transporte. É nesse período que o fruto começa a sua intensa respiração e fermentação – mecanismo para obtenção de energia celular.
Após a debulhação, o açaí libera bastante calor. São 5 graus Celsius em cinco horas. Como exemplo, 10 paneiros de açaí equivalem a um adulto, no que se refere à produção de calor. Em decorrência dessa “respiração”, há uma produção acentuada de CO2. “O fruto respira, usa o oxigênio e, logo depois, ele fermenta. O barbeiro detecta o paneiro de açaí por essa produção de calor e de CO2”, afirma Hervé Rogez.
O caroço do açaí transpira, exalando cheiros comuns ao suor dos mamíferos. O barbeiro, ao receber esses sinais, identifica-os como sendo desses animais. O feromônio – substância química de atração sexual - seria mais um motivo para esses insetos serem encontrados nos paneiros. Pensando que são fêmeas, os barbeiros voam para acasalar. 
O inseto também pode pousar nos paneiros durante a viagem de barco. Ao fazer um voo, o barbeiro busca alimentar-se ou reproduzir-se. E, ao chegar aos paneiros de açaí e perceber que não há alimento, ele permanece ali, para restabelecer as forças usadas durante o voo, o que leva mais de 24 horas. Do porto, o açaí segue para a comercialização.

Termo de ajuste de conduta deve garantir segurança

Na literatura científica, as fezes do barbeiro – contendo o Trypanosoma cruzi – são produzidas apenas quando ele suga o sangue. “Porém, ao realizar uma simulação exercitando os barbeiros em alta velocidade por 15 minutos, como em uma trepidação de barco, verificamos que muitos deles haviam defecado, por causa do estresse sofrido. E como o transporte de açaí é bastante longo, isso pode ocorrer durante a viagem”, explica Hervé Rogez.
Com isso, foram criadas algumas normas para o manuseio do fruto em Belém, por meio da Instrução Normativa publicada no Diário Oficial do Estado em 2013. O documento consiste em um termo de conduta assinado por representantes dos agricultores e batedores de açaí, do Ministério Público, das Secretarias de Estado de Agrcultura e de Saúde Pública,além do professor Hervé Rogez, como representante da Universidade Federal do Pará. 
Os agricultores e transportadores comprometeram-se em tampar os paneiros e fechar os porões dos barcos. Os comerciantes (pequenos batedores) terão que fazer o tratamento térmico a 80°C durante 10 segundos, por meio da técnica de branqueamento, por causa do material fecal do barbeiro e de algumas bactérias. Já o setor industrial irá realizar a pasteurização, técnica do branqueamento em grande escala. Assim, a cadeia de comercialização ficará protegida.
Hervé Rogez destaca a importância do estudo, “Fomos os primeiros a descobrir as propriedades benéficas e maléficas do açaí”, afirma. Nesse sentido, a “Pérola da Amazônia” segue representando a cultura paraense.