quarta-feira, 5 de novembro de 2014
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
MARCHA DA JUVENTUDE MARCA DESFILE DA INDEPENDENCIA EM IGARAPÉ-MIRI
Um dos momentos marcantes foi a passagem da Marcha da Juventude da Região Tocantina, Diocese de Cametá. O evento que chegou a sua IV Edição foi realizado juntamente com XX Grito dos Excluídos em Vila Maiauatá (Paróquia de Nazaré) no período de 04 à 06 de setembro, com o tema “Vida em primeiro lugar” e o lema “Ocupar ruas e praças por liberdade e direitos”. O término do evento foi marcado pela caminhada que saiu de Vila Maiauatá por volta de 6 horas da manhã dia 06, chegando 11 horas no corredor do desfile.
Na chegada os jovens entregaram ao secretário de Educação, Prof. Felipe Pantoja(nesse momento representado o gestor municipal) a Carta da Juventude – contendo a pauta de reivindicações do movimento.
Abaixo trazemos um resumo contendo os principais pontos da pauta contidos na carta:
1 SAÚDE
1.1 Instalação de Unidade de Teste e Aconselhamento de HIV em Igarapé-Miri;
1.2 Intensificação de campanhas e palestras de prevenção ao uso de drogas e entorpecentes;
1.3 Reativação de programa de planejamento familiar e prevenção contra gravidez na adolescência;
1.4 Fornecimento de medicamentos e material hospitalar para os postos de saúde do município;
1.5 Melhorias das instalações e dos equipamentos do Hospital e Maternidade Sant’Ana;
1.6 Funcionamento imediato da Academia de Saúde;
1.7 Reforma e aquisição de ambulâncias;
1.8 Reativação do Programa Saúde Bucal para a juventude;
1.9 Fortalecimento das ações do Centro de Atendimento Psicossocial (CAPS);
2 SEGURANÇA PÚBLICA
2.1 Resolução da impunidade dos assassinatos que tem resultado no extermínio de nossos jovens:
2.2 Campanha de prevenção da violência
2.3 Combate ao uso e contrabando de drogas.
2.4 Reforço de policiamento nas ruas do município.
2.5 Implantação do programa PROERD no município e interiores.
2.6 Implantação da guarda municipal.
2.7 Compromisso social com a comunidade.
2.8 Combate a corrupção do policiamento municipal.
3 EDUCAÇÃO
3.1 Apoio irrestrito a criação de um Pólo da Universidade Federal da Amazônia Tocantina (UFAT); no município de Igarapé Mirí.
3.2 Fortalecimento do Programa Saberes da Terra (elevação de escolaridade de jovens e adultos do campo);
3.3 Ampliação e melhorias do Sistema Modular de Ensino Municipal na zona rural;
3.4 Regularização do fornecimento da alimentação escolar regionalizada em toda rede municipal;
3.5 Melhoramento do transporte escolar em toda a rede municipal;
3.6 Contratações de pessoal qualificado para o programa Mais Educação;
4 TRABALHO E CIDADANIA
4.1 Fomento a projetos de geração de emprego e renda para oportunidade de trabalho para a juventude e fortalecimento da segurança alimentar do município;
4.2 Incentivo ao associativismo e cooperativismo juvenil destinadas a agricultura Peri Urbana;
4.3 Fortalecimento a feira dos produtores da agricultura familiar;
4.4 CRAS itinerante para zona rural;
4.5 Campanha de expedição de documentos pessoais para zona rural;
4.6 Criação do Centro de Recuperação de Entorpecentes do município;
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
"NAVEGAR" É NECESSÁRIO... Navegando em outras águas (Jornal Beira do Rio - Ufpa)
Em Afuá, realidade contraria números indicados no
Mapa da Inclusão Digital, da Fundação Getúlio Vargas
(por Brenda Rachit / Agosto e Setembro de 2014)
O mapa da inclusão digital, trabalho
executado pela Fundação Getúlio Vargas, em parceria com a Fundação Telefônica,
publicado em 2012, constatou, por meio de pesquisas quantitativas, que o município
de Afuá, no arquipélago do Marajó, tem, em média, 0,8% de acesso à internet.
Esse percentual reflete o baixo índice de conexão para muitas cidades da
Amazônia e é uma das questões discutidas pelo pesquisador Diogo Silva Miranda
de Miranda, em sua Dissertação Palafitas digitais: comunicação, convergência,
cultura e relações de poder em Afuá, defendida recentemente no Programa de
Pós-Graduação Comunicação, Cultura e Amazônia, da Universidade Federal do Pará
(PPGCom-UFPA).
Na pesquisa, foram observados outros
aspectos, além dos quantitativos, para compreender a reconfiguração do ambiente
comunicacional no município. Utilizando a perspectiva metodológica da
Cartografia, o pesquisador construiu um método próprio e com elementos da
Antropologia, Sociologia e Análise do Discurso. Ele selecionou teorias e
procedimentos que mais se adequavam aos seus objetivos.
A proposta inicial era discorrer sobre
tecnologias móveis, a “cibercultura de bolso”, pois, na cidade, a popularização
da internet está bastante atrelada ao uso crescente dos smartphones. Contudo a
pesquisa revelou outros caminhos e Diogo de Miranda propôs-se a “pensar o
cenário que se desenvolveu com a chegada da internet e das novas dinâmicas
criadas pela maneira como a web se relaciona com outras mídias em uma
determinada sociedade”, explica.
O pesquisador reconhece a importância
das estatísticas, mas alerta que é preciso estar atento aos contextos
específicos de cada região. Em viagens ao município, foi possível observar um
consumo de tecnologias digitais muito maior do que aquele constatado no Mapa da
Inclusão Digital. “Como posso encarar como verdadeiros esses números se, ao
chegar a Afuá, percebo que as pessoas utilizam intensamente os diferentes
aparelhos, como o dono do mercadinho que acessa a internet wifi por um
Iphone?”, questiona.
Trabalho de campo
releva singularidades
O Mapa da Inclusão Digital é elaborado
a partir de um recorte do que pode ser mensurado quantitativamente, normalmente
considerando os computadores pessoais e as linhas de telefonia fixa. Em muitas
cidades da Amazônia, o acesso à internet via celular e tablets é muito mais
frequente. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a partir
do próximo censo, irá considerar essas especificidades, como a rede móvel.
As particularidades afuaenses só
puderam ser percebidas quando o pesquisador esteve em campo. Diogo de Miranda
viajou três vezes à ilha durante a pesquisa. Muito mais do que descrever Afuá e
seus contextos, o pesquisador quis viver a dinâmica da cidade. “Partilhei um
universo em comum com esses sujeitos, o que nos tornou próximos, participantes
das mesmas dinâmicas e experiências. E isso foi fundamental para entender as
questões da pesquisa”, afirmou.
Segundo ele, as estatísticas acabam por
reafirmar a compreensão já estigmatizada sobre a Amazônia como um território em
“atraso”. “As singularidades da região necessitam de outras perspectivas de
análise”, destaca Diogo.
A internet popularizou-se em Afuá entre
2005 e 2007, porém, em períodos anteriores, houve outras tentativas de conectar
a comunidade à rede mundial de computadores. Algumas lan houses (centros de
acesso à internet) surgiram, mas não conseguiram se sustentar, pois a internet
ainda não havia alcançado o cotidiano da comunidade, como as rádios. Diogo observa
que o rádio, muito mais do que a televisão, exerce um papel central nas
relações sociais dentro da cidade.
Conversas agora se
desdobram no ciberespaço
Em Afuá, não há produção de telejornais
e o conteúdo regional veiculado pelas emissoras de televisão traz notícias de
Macapá e Belém, a maioria das vezes. Por isso, as rádios têm um espaço cativo
na comunidade. “As rádios articulam a dinâmica do cotidiano da cidade, dão
visibilidade às suas interações sociais”, avalia Diogo de Miranda.
O atraso na conexão de Afuá à internet
também decorreu das inúmeras barreiras físicas, pois o município é localizado
em região de várzea. A cidade, também conhecida como a “Veneza Marajoara”, não
possui ruas ou estradas, é interligada por pontes e sustentada por palafitas,
tornando difícil a instalação de um sistema cabeado de rede. Por isso, a
internet foi introduzida via rádio.
“A implementação da telefonia móvel e o
sucesso dos celulares no município fizeram com que a internet se popularizasse
e fosse incorporada ao dia a dia das pessoas”, explica o pesquisador. Hoje,
além da telefonia móvel, há três lan houses bastante frequentadas.
Com a chegada da internet móvel, as
pessoas apropriam-se de forma diferente desse recurso e isso ressignificou o
contexto sociocultural do município. A partir daí, a interação da comunidade
foi além da relação restrita ao rádio e à conversação verbal, ela se desdobrou
no ciberespaço. As pessoas passaram a convergir conteúdos dentro do que elas
ouvem na rádio, o que vivem e o que produzem na internet. Os radialistas
comunicam-se por redes sociais com os ouvintes, ao mesmo tempo em que
verbalizam na rádio essa interação.
Ao assumir um papel de mesmo valor
daquele exercido pela rádio, a internet ganha forças em Afuá. “Sem a rádio, a
internet não seria o que é hoje”, afirma.
Interação com o
universo digital é diferenciada
Em 2013, foi inaugurada a primeira
praça digital com acesso gratuito à comunidade, tornando-se um espaço coletivo
bastante representativo na inclusão digital da cidade. “Por que a Prefeitura
investiria em um projeto social pra estabelecer uma praça digital para uma
população que teria, em tese, 0,8% de acesso à internet?”, questiona Diogo de
Miranda. “É claro que há questões políticas nesse cenário, mas esse fato
ilustra a importância que a internet passou a ter na vida dessa população”,
avalia.
Mas, assim como na capital, as formas
de interação com o universo digital acontecem de maneira diferenciada entre os
afuaenses. Segundo Diogo Miranda, infraestrutura e fatores socioeconômicos
influenciam diretamente na maneira como cada indivíduo participa desse ambiente
e nas formas de apropriação das tecnologias. Além disso, há relações de poder e
de disputa entre os indivíduos: quem não está inserido no novo contexto sofre
certa marginalização, ao mesmo tempo, quem não participa também exerce algum
poder ao obrigar as instituições a criarem condições que permitam a
sua participação e a expansão do mercado.
Jornal Beira do Rio (Ufpa): Calor atrai barbeiro até o açaí
Tratamento térmico a 80°C durante 10 segundos
garante segurança do consumidor.
por Marcus Passos / Agosto e Setembro de 2014
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EDIR VEIGA SOBRE POLÍTICA, NO PARÁ: "Pará 2014 - campanha udenista ou de programas?
Do Bilhetim
por Edir Veiga 03 de agosto, 2014 - 15h05
(Fonte:
www.bilhetim.com.br)
A União Democrática Nacional fazia campanhas
presidenciais e estaduais com um discurso fortemente moralista, pois esta
tática de campanha eleitoral era percebida como a maneira mais eficaz de
enfraquecer os partidos “populistas” PTB e PSD, ligados ao presidente
Getúlio Vargas.
Na década de 1950 o bloco varguista acumulava
enorme ativo político perante a população urbana, notadamente a classe
operária. A UDN só poderia fazer frente aos adversários através de denúncias
bombásticas de corrupção. A UDN era um partido assumidamente ultra
liberal direitista e lutou, sem sucesso pela conquista da presidência
durante toda a República de 1946.
No Pará, o ativo acumulado pelo grupo do governador
Magalhães Barata projetava uma hegemonia duradoura na política paraense.
Aqui em nosso estado, Barata militava no Partido Social Democrático-PSD e tinha
contra sí um enorme leque de partido que lhes faziam oposição que juntava da
UDN até partidos e ativistas de esquerda.
Tanto em nosso país como no Pará Vargas, Barata e
seus partidários dominaram a cena política até suas mortes, os
direitistas da UDN chegaram subjugados ao governo em aliança com os generais de
1964. A UDN seria o embrião do PDS-PFL , que hoje são os Democratas-DEM.
Em 2014 no Pará, o PMDB, ausente do comando do
governo estado desde 1994 entra na disputa estadual com reais
possibilidades de travar uma disputa equilibrada, e com chances objetivas
de vitória. O PSDB, apesar de estar com a máquina administrativa e política do
governo está fragilizado por dois motivos centrais: estar ocupando o
poder desde 1994, com um intervalo entre 2007 e 2010, e caso vença as eleições
de 2014, chegará até 2018 a 20 anos de governo no espaço de 24 anos, e
isto aguça psicologicamente o eleitorado para a ideia genérica de mudança e o
segundo motivo da fragilidade tucana no Pará é o fato do governo Jatene,
entre 2011-2014 não ter enfrentado com sucesso a agenda pública materializada
nas reivindicações por assistência à saúde, segurança e saneamento básico. Na
capital, soma-se a “grita” por mobilidade urbana.
Em todas as sondagens eleitorais, públicas ou
informais, parece clara que a avaliação positiva do governo Jatene não
ultrapassa os 30%, o que coloca claramente o sinal de alerta nos hostes
tucanos. O principal candidato oposicionista, o pemedebista Helder
Barbalho vem surfando nos desacertos que foram cometidos no ninho tucano
nos últimos seis meses e no desejo genérico do eleitorado por mudança.
Eu diria neste momento que o candidato
oposicionista já acumula vitórias parciais nesta campanha iniciante
materializada no fato de nunca ter disputado um cargo majoritário e estar,
neste momento, disputando em pé de igualdade com um governador incumbente
as intenções de votos na população paraense.
No entorno de Jatene e Helder, que devem
protagonizar uma disputa equilibrada até o dia da eleição, os grupos e partidos
se organizam. Os tucanos fragilizados pelos longos anos no poder político
no Pará atacarão no ponto mais fraco de Helder Barbalho, que são as denúncias
renovadas que o grupo governista e seus aliados na grande imprensa
perpetram contra a passagem do senador Jáder Barbalho pelo governo do
Pará.
Parece que os tucanos, em sua busca para
despotencializar o candidato oposicionista deverão demonizar a candidatura
Helder com uma campanha no velho modelo udenista, onde o apelo moralista e o
combate a corrupção deverão dominar a estratégia tucano nos meios de
comunicação e nas redes sociais. Como o PMDB e seus aliados buscarão
escancarar denúncias contra Jatene e seu governo, poderemos esperar uma
campanha onde o confronto moralista e denuncista deverão ocupar mais tempo do
que os debates programáticos.
Não advogo uma campanha eleitoral livre de
polêmicas, denúncias e debates acalorados. Acredito sim que a campanha
eleitoral é o momento de mostrar propostas e diferenças entre os candidatos,
inclusive no ponto de vista moral. Mas o exagero, seja no denuncismo, seja no
apoliticismo são prejudiciais ao debate democrático. Mas eu acredito piamente
que assistiremos nas eleições de 2014 uma campanha baseada no
moralismo, no denuncismo e na despolitização. Creio que o eleitorado
ficará decepcionado com o estilo de campanha que se aproxima para o governo do
Pará.
Na luta política eleitoral sempre assistiremos a
situação maximizando seus acertos e minimizando seus erros e a oposição
maximizando os erros do governo e minimizando os acertos: assim funciona a
democracia. Cabe aos partidos em disputa municiarem o eleitor com o máximo de
informação possível, sem dúvida nenhuma quem melhor convencer a maioria
do eleitorado receberá a maioria dos votos.
Tenho dito."
Não existe “CAPADÓCIA” em Igarapé-Miri: sobre desrespeitos a nossa memória coletiva
Prof. Israel Araújo(*) –
poemeiro@hotmail.com
A
Rede Globo de Televisão (e outras coisas não declaradas?) exibiu, no ano de
2012, uma telenovela “das” nove (21h), intitulada “Salve Jorge”, uma produção
que contava a mesma história contada por todas as novelas desse horário, com
atores e atrizes prestigiados, sedutores(as), triângulos amorosos e muitas
simulações de senas de sexo – isto para faturar audiência maior e maior volume
financeiro com os comerciais da “KIA” e outros apoiadores desse conglomerado
midiático.
Posicionamento
diferente pode ser encontrado na enciclopédia mais visitada destes tempos, que
afirma:
A
novela falou sobre a fé e a devoção a São Jorge, e abordou também o
tráfico ilegal e escravização de garotas no exterior, resultando numa grande
campanha de esclarecimento da população sobre o modus operandis dessas máfias, estimulando denúncias
que resultaram no desbaratamento de quadrilhas e na libertação de muitas
brasileiras que vinham sendo mantidas como escravas sexuais no exterior. A
novela teve como núcleo central o Complexo do Alemão, além da Capadócia, região da Turquia onde
São Jorge nasceu(...) (http://pt.wikipedia.org/wiki/Salve_Jorge;
acesso: 17/06/2014 – grifos meus).
Não
nos parece uma inverdade essa afirmação quanto ao “papel social” que pode
exercer uma telenovela exibida por um canal tão poderoso quanto esse. Até
dizemos que tal equivale a uma verdade.
A
Capadócia de fato existe e está bem distante de nosso território municipal
(além do mais, em nosso Plano Diretor não há menção de território nominalizado
dessa forma). Eis a Capadócia:
CAPADÓCIA(**)
Um
céu colorido de balões dá “bom-dia” todas as manhãs aos visitantes da
Capadócia, na Turquia. Eles vão surgindo às dezenas no horizonte, quando o sol
nasce. Antes do primeiro raio soa dos minaretes o chamado para a reza - uma das
cinco que os muçulmanos devem fazer. O dia vai tomando cores surreais e a
paisagem vai se revelando.(...) A Capadócia fica a 700 km de Istambul e 300 km
da capital Ankara, e não sem razão é uma das regiões mais procuradas pelos
turistas na Turquia. Na verdade, já se destacava desde as eras mais remotas.
Foi
terra dos hititas (cerca de dois mil anos antes de Cristo), frígios, assírios,
medos, cimérios e persas. Foi assediada por Alexandre, o Grande, e província do
Império Romano. Depois respondeu aos impérios bizantino e otomano. Guerras,
intrigas e perseguições moldaram sua história assim como a ação do vento e a
atividade vulcânica deram os contornos da paisagem que se vê.”
Pois
bem, quando a TV Globo exibia a sua “Salve Jorge” (devoção da personagem
principal) nosso Igarapé-Miri ganhou,
graças aos esforços da eficiente gestão do petista Roberto Pina Oliveira, um condomínio popular, o Residencial “Açaí
Lar”, que pertence ao Programa “Minha Casa, Minha Vida” (PMCMV), do governo
federal. Foram muitas centenas de casas construídas à margem da PA-151, quase
caindo na beira do rio Igarapé-Miri.
Até
aí, tudo bem, não fosse uma horrorosa bolada nas costas de nossa história,
nossa cultura, nossa economia e, logo, nossas identidades (nada está tão ruim
que não possa piorar, não é mesmo?): por causa das cenas picantes(?) da citada
produção global as pessoas começaram a chamar o citado condomínio de
“Capadócia” (começaram a ser produzidos enunciados do tipo: “Ah, eu lá na Capadócia”, “Minha irmã ‘ganhou’ uma casa lá na Capadócia”, ou “Eu tava tomando umas lá
na Capadócia”... E o nosso
residencial Açaí Lar (nome escolhido em votação) deixou de ser uma identificação
e uma saudação a nossa cultura, pois este município é cantado como “A Capital
Mundial do Açaí” – graças ao trabalho dos legítimos trabalhadores(as) da
cultura do açaí – para se transformar numa saudação à manipulação ideológica
mais poderosa que a Globo pode fazer com os seus telespectadores mais
desavisados(as).
Consequência: “a cagada já tá feita e fedendo muito”, como se diz nesta Terra (ainda se diz, mas essa cultura está em ruínas, pois
tem poucos representantes). Deixaremos
que uma instância da mídia venha a mandar em nossa história, venha decidir até
os modos de nominalizar os nossos territórios – que são territórios de nossas
intimidades coletivo-individuais?
Vejamos
este fato. Uma vez eu queria namoros com uma moça muito das bonitas e,
acreditando que eu tinha chances reais de sucesso na empreitada, dei o
“ponta-pé” inicial, ao que ela respondeu: “Isso não pode acontecer”, com a
devida segurança requerida para uma situação de “saliência” dessas. Ora, não existe “Capadócia” em Igarapé-Miri.
Nenhum de nossos bairros se chama dessa maneira, nem distrito administrativo
algum tem essa identificação. Vamos parar de aplaudir quem nos humilha dia si,
outro talvez.
Já
esquecemos de como os paraenses fomos tratados por essa emissora? Somos, mesmo
e de fato, “bichos” que não conhecem computador e nem praias de areia, nem o
Marajó, Salinas, Mosqueiro e outras?
_________________
(*)
Professor e professor; cursa Mestrado Acadêmico em Letras na Universidade
Federal do Pará (UFPA, 2013-2015).
(**)
Fonte: http://viagem.uol.com.br/guia/turquia/istambul/roteiros/capadocia-surpreende-com-rochas-inusitadas-e-cidades-subterraneas/index.htm
(acesso em 17/06/2014).
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
A GUERRA DE TRÓIA
Igarapé-Miri, 18 de
janeiro de 2012
A GUERRA DE
TRÓIA E PREPOTÊNCIA DE AGAMENON¹
Antônio Marcos Ferreira*
Nesta semana, aproveitando um pouco do recesso do
meu trabalho - em sala de aula, tive vontade de assisti novamente um filme que
considero ser uma das mais brilhantes sagas do cinema mundial, o que o fiz na
terça feira 14/01. Trata-se do filme TRÓIA do
diretor americano Wolfgang
Petersen. Esse filme como quase todos sabem narra a epopéia dos gregos até a mitologia cidade de Tróia afim de reaver a bela Helena,
a esposa de Menelau que havia sido “raptada” pelo príncipe troiano Páris, filho
do Rei Príamo.
Na verdade existem certos detalhes que nem todos
conseguem enxergar nessa história, como por exemplo, a astúcia e prepotência de
Agamenon, o qual se aproveitando da paixão do irmão traído teria forjado um
discurso da compaixão, para aproveitar a oportunidade de ir em busca de seu
antigo sonho: conquistar a fortificada e
rica cidade de Tróia.
Agamenon é um aloprado, mais que apesar de sua
ganância sabia que sozinho não poderia chegar onde queria, por isso tem
paciência de esperar o momento certo para agir. E quando recebe a notícia do
que ocorrera a Menelau, apresenta seu
falso “ombro amigo” , colocando-se a disposição para aquilo que fosse necessário.
Agamenon consegue implantar inclusive uma pseudo-justificativa “coletiva”,
alegando que não só Menelau fora
ofendido, mas honra grega. Assim consegue juntar todos os lideres da redondeza encabeçar
em uma marcha naval rumo à cidade de Tróia. E com apoio de brilhantes
guerreiros e estrategistas como Aquiles e Odisseu tem a seu favor toda a estrutura
que precisava para alcançar o seu objetivo particular.
Talvez existam muitos “Agamenons”
por aí, aproveitando-se da impotência e da dificuldade de alguém (ou de algum povo) para implantar seus planos de poder. Sendo necessário ficarmos de olhos bem abertos, pois em uma sociedade
democrática precisamos sim legitimar e respeitar as decisões legais (ainda que
moralmente não concordemos com nenhuma das prática), mas não ninguém é obrigado
a aplaudir o espetáculo da barbárie.
¹Texto
lido na Abertura do Programa Remanço do
Incam (Rádio Natureza FM 87,9) em 19 de janeiro de 2013
* Graduado em Filosofia
(Licenciatura Plena/Bacharelado) – UFPa, Acadêmico do Curso de Administração
Pública UAB/UFPa, Professor de Filosofia na Rede Estadual – SEDUC/Pa,
Coordenador do Núcleo de Cultura e Educação Popular do INCAM, Presidente do COMCIM
_ Conselho Municipal de Cultura de Igarapé-Miri. Possui alguns trabalhos publicados.
Disponível também no
blog:www.afolhademaiauata.blogspot.com
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